Há muitas evidências de satélites em órbita e rovers na superfície indicando que água líquida esteve presente há muito tempo na superfície de Marte na forma de lagoas, lagos e rios. Mas a ideia de que Marte um dia teve um oceano enorme e duradouro em suas planícies do norte permanece em debate.

Cientistas agora detectaram o que podem ser os contornos desse suposto oceano no vizinho planetário da Terra, usando dados coletados por uma sonda da Nasa que orbitou Marte por uma década. A pesquisa indica a presença do equivalente marciano da plataforma continental que define os limites dos oceanos da Terra.

Eles compararam isso a um enorme “anel de banheira” mostrando onde a água pode ter encontrado a terra em Marte. Como Marte não possui continentes e não tem o processo geológico chamado tectônica de placas que levou à formação dos continentes da Terra, os pesquisadores estão chamando as formações marcianas de plataforma costeira.

Assim como a Terra e os outros planetas do Sistema Solar, Marte se formou há aproximadamente 4,5 bilhões de anos. No início de sua história, Marte era mais quente e úmido do que o lugar frio e árido que é hoje.

“O oceano marciano pode ter existido quando o planeta tinha um ciclo hidrológico ativo, com rios e lagos fluindo, há quase 3,7 bilhões de anos, e provavelmente desapareceu quando o planeta se tornou seco. Para onde exatamente a água foi permanece altamente debatido”, disse Abdallah Zaki, cientista planetário da Universidade do Texas e autor principal da pesquisa publicada na quarta-feira (15) na revista Nature.

Uma plataforma costeira pode ter se formado em Marte ao longo de milhões de anos devido a rios despejando areia e lama em um oceano, ondas espalhando esses sedimentos ao redor, e o nível do mar subindo e descendo ao longo do tempo. Visto de cima, a rocha sedimentar que compõe essa plataforma pode superficialmente se assemelhar ao anel que permanece depois que uma banheira é esvaziada.

“Um ‘anel de banheira’ em Marte significa que, se um oceano preencheu as terras baixas do norte, ele pode ter deixado para trás uma linha costeira, ou limite em forma de plataforma, marcando o nível da água”, disse Zaki.

“Se enviássemos um rover, esperaríamos ver rochas sedimentares e estruturas semelhantes às encontradas nas plataformas continentais da Terra, incluindo camadas, superfícies inclinadas chamadas clinoformas e texturas produzidas por ondas e correntes”, disse Zaki.

Os pesquisadores examinaram dados topográficos de Marte obtidos pelo Mars Global Surveyor da Nasa e identificaram uma faixa sugestiva de contornos oceânicos. Pesquisas anteriores indicaram que esse oceano hipotético no hemisfério norte marciano cobria aproximadamente um terço da superfície do planeta, equivalente a cerca de 13% da área total dos oceanos da Terra.

O estudo se baseia em evidências anteriores de um antigo oceano marciano, incluindo estudos que identificaram características semelhantes a uma antiga linha costeira. Dados de radar de penetração no solo obtidos pelo rover chinês Zhurong, descritos em um estudo publicado no ano passado, detectaram evidências sugerindo praias arenosas de uma linha costeira marciana agora enterrada no subsolo.

Cientistas também identificaram múltiplas formações que parecem ser remanescentes de antigos deltas de rios, onde rios podem ter fluído para um corpo de água maior.

“O oceano do norte em Marte, se existiu, secou há muito tempo, e houve bilhões de anos de atividade vulcânica e abrasão eólica em Marte, então interpretar formações antigas não é simples”, disse Michael Lamb, cientista planetário do Caltech e autor sênior do estudo.

“No entanto, nosso estudo mostra alguns sinais reveladores de uma plataforma costeira. E a plataforma ocorre na mesma zona das linhas costeiras deformadas e onde cientistas anteriormente mapearam deltas de rios e outras formações e depósitos característicos de uma transição terra-oceano”, disse Lamb.

Considerando tudo junto, disse Lamb, as evidências apontam para um antigo oceano de longa duração.

“Isso significa que Marte um dia se pareceu muito mais com a Terra do que hoje”, disse Lamb.

A existência de um oceano seria um fator importante para entender se Marte algum dia foi capaz de dar origem à vida.

“Se Marte um dia teve um oceano cobrindo aproximadamente um terço do planeta ao longo de escalas de tempo geológicas, isso sugeriria que uma grande parte de sua superfície teve água sustentada, que é um ingrediente-chave para a habitabilidade”, disse Zaki.

“Isso não significa que Marte foi habitado, mas sugere que ambientes potencialmente habitáveis podem ter sido mais difundidos e duradouros do que se a água tivesse existido apenas brevemente ou localmente”, disse Zaki.

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