Sim, aquele realmente era um iPhone que você viu flutuando dentro da cabine de uma espaçonave na última quarta-feira (1º).
Cerca de quatro horas após o início da primeira missão à Lua desde 1972, um iPhone prateado flutuou diante de uma câmera que mostrava a cabine da Orion. Ele saiu das mãos de Jeremy Hansen, 50, passou sobre as cabeças de Reid Wiseman, 50, e Victor Glover, 49, e chegou até Christina Koch, 47.
A missão é uma das primeiras vezes em que a Nasa permitiu que astronautas voassem com smartphones. A Nasa deu a cada astronauta um aparelho da Apple durante a quarentena, que começou em março.
Mas não houve como fazer uma chamada de vídeo escondida pelo FaceTime ou jogar uma partida de Candy Crush antes de entrar em órbita. Os telefones não conseguem se conectar à internet nem usar Bluetooth, segundo a Nasa. Eles servem principalmente para tirar fotos e gravar vídeos.
Até agora, a bordo da Orion, os astronautas usaram seus telefones para fotografar e filmar pela janela da espaçonave, inclusive quando conseguiam ver o estágio superior do foguete que os enviou ao espaço.
Koch e Hansen também tiraram fotos e gravaram vídeos de Glover e Wiseman enquanto a cápsula se movia ao redor do foguete, uma demonstração que mostra como a Orion pode se movimentar e acoplar a um futuro módulo de pouso lunar.
“Estamos dando às nossas tripulações as ferramentas para capturar momentos especiais para suas famílias e compartilhar imagens e vídeos inspiradores com o mundo”, disse Jared Isaacman, administrador da Nasa, em uma publicação nas redes sociais em fevereiro. “Igualmente importante, desafiamos processos de longa data e qualificamos hardware moderno para voos espaciais em um cronograma acelerado.”
Os iPhone 17 Pro Max usados pelos astronautas não são as únicas câmeras na cápsula Orion. A tripulação conta ainda com duas Nikon D5, modelo lançado em 2016, e quatro GoPro Hero 11, lançadas em 2022.
O processo de aprovação de hardware para voos espaciais é “geralmente bastante complexo e demorado”, disse Tobias Niederwieser, professor assistente de pesquisa na BioServe Space Technologies, um instituto de pesquisa da Universidade do Colorado, em Boulder, que teve uma carga útil na missão Artemis 1.
Normalmente, o processo tem quatro fases, segundo o docente. A primeira apresenta o equipamento a um painel de segurança. A segunda identifica os potenciais riscos do hardware, que vão desde peças móveis até materiais como vidro que podem se estilhaçar. A terceira estabelece um plano para lidar com esses riscos. A quarta comprova que o plano funciona.
“Com o material que pode se estilhaçar, por exemplo, ele simplesmente fica flutuando no ar”, disse Niederwieser. “Não cai no chão, e você não está protegido só porque está usando sapatos.”
O processo visa proteger tanto a tripulação quanto a espaçonave, acrescentou ele.
Em uma cápsula perfeitamente selada em microgravidade, quando os efeitos da gravidade são tão reduzidos que as coisas parecem estar sem peso ou em queda livre, o hardware funciona em condições muito diferentes das da Terra.
Um exemplo: a Nasa discutiu o uso de velcro para fixar os telefones na Orion, segundo a agência. Antes do lançamento, pelo menos um dos telefones estava guardado em um bolso na perna de um traje de voo.
“Tudo flutua no espaço”, afirmou Niederwieser. “Para fixar qualquer coisa em qualquer lugar, as coisas geralmente têm velcro. Isso vai tão longe que inclui cada caneta e a tampa da caneta.”
A Apple disse que não esteve envolvida no processo da Nasa para aprovar os iPhones para a missão Artemis 2. A missão marca a primeira vez que um iPhone foi totalmente qualificado para uso prolongado em órbita e além, segundo a empresa.
Smartphones já voaram no espaço antes, embora muitas dessas missões fossem privadas. Em 2021, por exemplo, Isaacman atuou como comandante da missão Inspiration4, operada pela SpaceX, e usou um iPhone para fotografar a Terra. Em 2011, a tripulação da última missão do ônibus espacial, STS-135, voou com dois iPhone 4 como parte de um experimento.