Sim, aquilo era mesmo um iPhone que você viu flutuando dentro da cabine de uma espaçonave na quarta-feira (1º).
Cerca de quatro horas após o início da primeira missão à Lua desde 1972, um iPhone prateado passou flutuando por uma câmera que mostrava a cabine da espaçonave Artemis 2. Ele saiu das mãos de Jeremy Hansen, passou sobre as cabeças de Reid Wiseman e Victor Glover e foi parar com Christina Koch.
A missão é uma das primeiras vezes em que a Nasa permitiu que astronautas voassem com smartphones. A Nasa deu a cada astronauta um iPhone durante a quarentena, que começou em março, informou a agência.
Mas não houve como fazer uma chamada de vídeo escondida pelo FaceTime ou jogar uma partida de Candy Crush antes de entrar em órbita. Os telefones não podem se conectar à internet nem usar bluetooth, disse a NASA. Eles servem principalmente para tirar fotos e gravar vídeos.
Até agora, a bordo da cápsula Orion, os astronautas usaram seus telefones para capturar imagens e fazer filmagens pela janela da espaçonave, inclusive quando conseguiram ver o estágio superior do foguete que os enviou ao espaço.
Koch e Hansen também tiraram fotos e gravaram vídeos de Glover e Wiseman enquanto a cápsula se movia ao redor do foguete, uma demonstração que mostra como a Orion pode se movimentar e acoplar a um futuro módulo de pouso lunar.
“Estamos dando às nossas tripulações as ferramentas para capturar momentos especiais para suas famílias e compartilhar imagens e vídeos inspiradores com o mundo”, disse Jared Isaacman, administrador da Nasa, em uma publicação nas redes sociais em fevereiro. “Igualmente importante, desafiamos processos de longa data e qualificamos um hardware moderno para voos espaciais.”
Os iPhone 17 Pro Max usados pelos astronautas não são as únicas câmeras na cápsula Orion, embora possam ser as mais novas. A tripulação também está tirando fotos e gravando vídeos com duas Nikon D5, modelo lançado em 2016, e quatro GoPro Hero 11, lançadas em 2022.
O processo de aprovação de hardware para voos espaciais é “geralmente bastante complexo e demorado”, disse Tobias Niederwieser, professor assistente de pesquisa na BioServe Space Technologies, um instituto de pesquisa da Universidade do Colorado, em Boulder, que teve uma carga útil na missão Artemis 1.
Normalmente, o processo de aprovação de um equipamento para uma viagem espacial tem quatro fases, disse Niederwieser. A primeira analisa a segurança do equipamento. A segunda identifica os potenciais riscos do hardware, que vão desde peças móveis até materiais como vidro que podem estilhaçar. A terceira estabelece um plano para lidar com esses riscos. A quarta comprova que o plano funciona.
“Você pode imaginar —um material que estilhaça, por exemplo, simplesmente fica flutuando no ar”, disse Niederwieser. “Não cai no chão, e você não está protegido só porque está usando sapatos.”
O processo visa proteger tanto a tripulação quanto a espaçonave, disse ele. Em “uma cápsula perfeitamente selada” em microgravidade, quando os efeitos da gravidade são tão reduzidos que as coisas parecem estar sem peso ou em queda livre, o hardware funciona em condições muito diferentes das da Terra.
Um exemplo: a Nasa discutiu usar velcro para fixar os telefones na cápsula Orion, disse a agência. Antes do lançamento, pelo menos um dos telefones estava guardado em um bolso na perna de um traje de voo.
“Tudo flutua no espaço”, disse Niederwieser. “Para fixar qualquer coisa em qualquer lugar, as coisas geralmente têm velcro. Isso inclui cada caneta e a tampa da caneta.”
A Apple afirma que não esteve envolvida no processo da Nasa para aprovar os iPhones para a missão Artemis 2. A empresa disse que a missão foi a primeira vez que um iPhone foi totalmente aprovado para uso prolongado em órbita.
Smartphones já voaram no espaço antes, embora muitas dessas missões fossem privadas. Em 2021, por exemplo, Isaacman atuou como comandante da missão Inspiration4, operada pela SpaceX, e usou um iPhone para fotografar a Terra. Em 2011, a tripulação da última missão do ônibus espacial, STS-135, voou com dois iPhone 4 como parte de um experimento.