O que há no cardápio para quatro astronautas confinados em uma pequena cápsula por dez dias seguidos?
Os da Artemis 2 têm horários programados para café da manhã, almoço e jantar, com menu definido de acordo com suas preferências pessoais e necessidades nutricionais. Alguns dos itens na cápsula Orion estão prontos para consumo, enquanto outros precisam ser reidratados na água a bordo.
Na última segunda-feira (6), a tripulação acordou cedo e começou o café da manhã que os manteria ativos para o sobrevoo à Lua.
Funcionários da Nasa disseram que o cardápio matinal inclui linguiças, cuscuz com castanhas, morangos, tortilhas, muffin de maple (para o canadense Jeremy Hansen), mingau de aveia com maçã e canela, ovos mexidos, polenta de milho com manteiga, manga e hambúrgueres de salsicha.
Outras opções de refeição incluem granola com mirtilos, quiche de legumes, brisket (peito) bovino ao molho barbecue, vagem apimentada e mac’n’cheese (o famoso macarrão com molho de queijo americano).
Os alimentos foram formulados e selecionados para reduzir o risco de migalhas flutuando pela cápsula em microgravidade.
Cada astronauta tem direito a duas bebidas saborizadas por dia, incluindo café, chá verde, smoothie de manga com pêssego, limonada ou sidra de maçã.
Há um total de 43 xícaras de café, nove condimentos e cinco molhos de pimenta a bordo. Para satisfazer qualquer desejo por doces, os astronautas têm à disposição, além da Nutella, cookies, chocolate, bolo e amêndoas cobertas com açúcar.
A tripulação usa um dispensador portátil de água para reidratar embalagens de alimentos e bebidas, e um aquecedor de alimentos para aquecê-los.
Engenheiros de alimentos no Laboratório de Sistemas Alimentares Espaciais do Centro Espacial Johnson trabalharam com a tripulação bem antes do dia do lançamento para elaborar seus cardápios espaciais individualizados. Eles experimentaram e avaliaram os alimentos com base em suas preferências alimentares.
O desafio foi equilibrar nutrição, segurança e gosto pessoal, respeitando os rígidos limites de massa e volume na cabine compacta, disse Xulei Wu, gerente do sistema alimentar da Nasa, em um vídeo da agência. A comida é responsável não apenas pelas “calorias e micronutrientes para os membros da tripulação, mas também por elevar o moral da equipe”, disse ela. “É muito importante.”
A ciência da alimentação espacial avançou significativamente desde o início da era espacial. Os primeiros alimentos espaciais eram em porções pequenas, adequados para comer com os dedos, ou em forma de purê, espremidos diretamente na boca a partir de um tubo semelhante a pasta de dente. Os astronautas a bordo da missão Apollo 7, em 1968, comeram cubos de pão com canela, purê de maçã, salada de frango e sanduíches de queijo, com pouco espaço para modificações pessoais.
Os cardápios de voo passaram por muitas modificações ao longo do programa, depois que se descobriu que os astronautas apresentavam desequilíbrios nutricionais, perda significativa de peso corporal e náuseas durante o voo. A Apollo 14 foi a primeira missão em que uma tripulação espacial retornou à Terra sem uma mudança significativa no peso corporal, de acordo com “Biomedical Results of Apollo”, uma publicação divulgada pela Nasa.
Christina Koch, 47, a única mulher da tripulação Artemis 2, disse à agência que compartilhar refeições com os colegas de tripulação no espaço “representa união e algo um pouco fora do comum”.
“É como uma viagem de acampamento”, afirma.