Um dia após sobrevoar o lado oculto da Lua, a tripulação da missão Artemis 2 da Nasa está agora na etapa de retorno de sua jornada, e o ritmo das atividades diminuiu.
A espaçonave que transporta os astronautas, batizada por eles de Integrity, deixou a esfera de influência lunar às 14h23 (horário de Brasília) de terça-feira (7). Isso significa que a atração da gravidade terrestre é mais forte que a da Lua, acelerando-os em direção a uma amerissagem no Oceano Pacífico na próxima sexta-feira (10).
Uma hora depois, os quatro astronautas da Artemis 2 —Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da Nasa, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense— fizeram algo que provavelmente se tornará mais comum nos próximos anos: conversar com alguém em outro lugar no espaço sideral.
Neste caso, eles conversaram por cerca de 12 minutos com colegas a bordo da IEE (Estação Espacial Internacional, na sigla em inglês), que orbita a Terra a cerca de 400 quilômetros acima da superfície.
Jessica Meir, uma das sete astronautas na estação espacial, perguntou aos astronautas da Artemis 2 sobre a perspectiva diferente de ver a Lua pela janela da Integrity em vez de olhar para a Terra surgindo abaixo.
“Percebi que notava não apenas a beleza da Terra, mas quanta escuridão havia ao redor dela e como isso a tornava ainda mais especial”, respondeu Koch.
Em 2019, Meir e Koch realizaram a primeira caminhada espacial totalmente feminina quando ambas eram tripulantes da estação espacial. “Jessica, sempre esperei que estivéssemos no espaço juntas novamente”, disse Koch, “mas nunca pensei que seria assim”.
Os astronautas da estação espacial não estavam acostumados com os intervalos de 2,5 segundos na conversa, o tempo que os sinais de rádio levavam para percorrer 370 mil quilômetros até a Artemis 2 e depois para uma resposta chegar.
Às vezes, eles falavam cedo demais, e suas palavras colidiam com as respostas da tripulação da Artemis 2 a perguntas anteriores.
Glover falou sobre o espaço limitado dentro da cápsula tripulada Orion, que tem aproximadamente o mesmo espaço de duas minivans. Na estação espacial, um astronauta geralmente pode se deslocar para outro módulo para ter privacidade. “Então, tudo o que fazemos essencialmente começa com um conflito espacial”, disse Glover.
Wiseman falou sobre disparar em direção à Terra, passando a 160 quilômetros da superfície, antes que o motor da espaçonave os impulsionasse em direção à Lua. Enquanto a Terra ficava cada vez maior do lado de fora da janela da Orion, “Jeremy se vira para nós e diz: ‘Não tenho certeza —acho que vamos bater direto nela'”, contou Wiseman.
Quando a tripulação da Artemis 2 estabeleceu o recorde de maior distância da Terra de todos os tempos, “corremos para a extremidade mais distante da estação espacial quando vocês estavam do outro lado, para podermos afirmar que éramos os mais distantes de vocês naquele momento”, disse Meir.
Mais tarde, os astronautas da Artemis 2 discutiram suas observações de segunda-feira (6) com Kelsey Young, líder científica lunar da missão, que estava no controle da missão em Houston. O primeiro tópico foram vários clarões vistos no lado noturno da Lua que pareciam ser meteoros atingindo a superfície.
Young perguntou: Quanto tempo duraram os clarões? Eles notaram alguma cor nos clarões? E onde na Lua eles ocorreram?
Wiseman disse que os clarões foram momentâneos, durando no máximo meio segundo, e não havia cor perceptível.
As primeiras fotos e dados foram divulgadas de volta à Terra durante a noite, acelerado por um novo sistema de comunicação a laser.
“Recebemos 20 gigabytes em pouco mais de 45 minutos”, disse Rick Henfling, um dos diretores de voo da missão, durante uma conversa com jornalistas na última terça-feira (7). Isso foi muito mais rápido do que a taxa na qual os dados são normalmente transmitidos pelo espaço usando comprimentos de onda mais longos, ele disse.
Cientistas em terra apenas começaram a analisar a enorme quantidade de novas informações.
“Passei a maior parte da minha manhã apenas folheando as milhares de imagens que começaram a chegar”, disse Young. “E há algo em cada imagem que me surpreende”.