Peço licença aos leitores para deixar de lado os assuntos da semana e dedicar esta coluna ao tema que marca o 8 de Março, o Dia Internacional das Mulheres.

A edição de 2025 do Mapa Mulheres na Política, editado pela União Interparlamentar (UIP) e pela ONU Mulheres, coloca o Brasil na posição 133 entre 183 países analisados no ranking de presença de mulheres no Parlamento (considerando a Câmara dos Deputados e casas equivalentes em outros países). Estamos atrás do México, do Zimbábue, de Serra Leoa e até da Arábia Saudita, onde as mulheres só ganharam o direito de dirigir em 2018.

Nas eleições de 2022 , foram eleitas 91 mulheres para a Câmara dos Deputados (17,8% das cadeiras) e apenas 2 governadoras. Considerando a posição ideológica dos partidos, nos partidos de direita e centro-direita, as mulheres correspondem a 14% dos deputados federais eleitos, já nos partidos de esquerda e centro-esquerda, elas representam 27% das cadeiras.

Estudos recentes publicados sobre a representação feminina no Brasil apontam que a dificuldade em aumentar a presença das mulheres tem múltiplas causas, que vão do financiamento a barreiras psicossociais e culturais.

Em artigo recente, Teresa Sacchet e coautores, a partir da análise de dados disponibilizados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), concluem que mulheres e pessoas negras recebem proporcionalmente mais recursos estimáveis (como santinhos e material gráfico), que oferecem menos autonomia, enquanto homens brancos recebem mais recursos financeiros em espécie. Os homens também recebem esses recursos logo nas primeiras semanas de campanha, o que facilita o planejamento estratégico das campanhas.

Em outro estudo recente, Andrew Janusz analisa as doações de pessoas físicas, forma de financiamento privado autorizada pela legislação brasileira, e conclui que essas doações contribuem para a baixa presença feminina no Legislativo.

As mulheres doam menos do que homens, e quando doam, as quantias médias são menores. O estudo também aponta que, diferente do observado nos Estados Unidos, tanto homens quanto mulheres preferem doar para candidatos homens.

Janusz destaca que mulheres que já ocupam cargos eletivos não apresentam desvantagem financeira, sugerindo que doadores buscam candidatos que avaliam ter maior chance de sucesso eleitoral. O estudo também aponta que doadores ligados a partidos de esquerda não demonstram preferência de gênero, enquanto os doadores de candidatos de partidos de centro e de direita favorecem candidatos homens.

Essa diferença pode ajudar a entender o padrão distinto na presença de mulheres entre os deputados federais de partidos de direita e de esquerda.

Estamos a 30 semanas das eleições de 2026. A partir de 15 de maio, candidatos e partidos podem iniciar campanhas de arrecadação por meio das chamadas vaquinhas (financiamento coletivo) e, após o registro das candidaturas em agosto, todos os tipos de doações serão permitidos.

Aumentar a presença de mulheres na Câmara dos Deputados e em outros espaços de poder dependerá não apenas do número de candidaturas femininas, mas também das prioridades dos dirigentes partidários na distribuição de recursos e da sociedade, tanto pelo voto quanto pelo apoio financeiro a essas candidaturas.


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