Cientistas estão observando o comportamento de um buraco negro supermassivo que está exibindo hábitos alimentares excepcionalmente bagunçados.

Usando principalmente radiotelescópios no Novo México e na África do Sul, eles estão monitorando o buraco negro, localizado no centro de uma galáxia muito além da nossa Via Láctea, enquanto ele continua a expelir um jato de material em alta velocidade após despedaçar e devorar uma estrela que cometeu o erro de se aproximar demais.

O que torna esse encontro estelar fatal incomum é a intensidade e a duração da indigestão pós-refeição do buraco negro.

O material restante da estrela só começou a ser lançado no espaço dois anos depois de ela ter sido despedaçada em seus gases componentes pelas forças gravitacionais do buraco negro. Mas esse jato já está sendo disparado no espaço há seis anos —mais tempo do que jamais foi observado antes— e continua a se intensificar no que se tornou um dos eventos únicos mais poderosos já detectados no universo.

“O aumento exponencial na luminosidade dessa fonte não tem precedentes. Agora está cerca de 50 vezes mais brilhante do que quando foi descoberta pela primeira vez, e está incrivelmente brilhante para um objeto em ondas de rádio. Isso está acontecendo há anos, sem sinal de parar. Isso é super incomum”, disse Yvette Cendes, astrofísica da Universidade de Oregon e autora principal do estudo publicado na quinta-feira (5) no Astrophysical Journal.

Buracos negros são objetos excepcionalmente densos com gravidade tão forte que nem mesmo a luz consegue escapar. Este buraco negro está localizado a cerca de 665 milhões de anos-luz da Terra. Um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, 9,5 trilhões de quilômetros.

O buraco negro é cerca de 5 milhões de vezes mais massivo que o Sol. Isso o torna aproximadamente comparável ao buraco negro supermassivo no centro da nossa própria galáxia, que tem uma massa cerca de 4 milhões de vezes maior que a do Sol.

A estrela condenada era do tipo chamado anã vermelha, com cerca de um décimo da massa do Sol.

Um horizonte de eventos é o ponto sem retorno para material atraído pela força gravitacional de um buraco negro. Quando uma estrela é despedaçada por um buraco negro, isso é chamado de evento de ruptura por maré porque resulta da mesma dinâmica gravitacional responsável pelas marés oceânicas na Terra.

“Qualquer objeto que se aproxima demais do horizonte de eventos de um buraco negro corre o risco de ser despedaçado por forças de maré e esticado em um longo fluxo de detritos, um processo chamado ‘espaguetificação'”, disse Kate Alexander, astrofísica da Universidade do Arizona e coautora do estudo.

“Depois que a estrela foi despedaçada, parte desse gás caiu em direção ao buraco negro e se aqueceu, e o buraco negro começou a consumir a estrela. A luz de rádio brilhante que vemos com nossos telescópios é produzida por material estelar que chegou perto, mas nunca realmente cruzou o horizonte de eventos —como um bebê exigente mastigando sua comida e cuspindo-a violentamente de volta, em vez de engoli-la”, disse Alexander.

Os pesquisadores não sabem exatamente por que esse evento de ruptura por maré com seu jato, formalmente chamado de jato relativístico, tem sido tão espetacular.

“Quanto ao que causa o jato relativístico em primeiro lugar —na verdade não sabemos, e é uma área ativa de pesquisa. Provavelmente tem algo a ver com campos magnéticos ao redor do buraco negro, mas também claramente tem que ser algo incomum, senão veríamos mais deles”, disse Cendes.

A questão agora é por quanto tempo esse jato continuará a se intensificar. Os pesquisadores suspeitam que pode atingir o pico ainda este ano ou no próximo ano.

“Depois que a emissão atingir o pico, deve diminuir lentamente, então provavelmente ainda poderemos vê-la por uma década ou mais”, disse Alexander.

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