Integrantes e aliados do governo Lula (PT) minimizaram os impactos do ato bolsonarista deste domingo (1º) e chamaram de “fracasso” a manifestação comandada por Nikolas Ferreira (PL-MG) com a presença de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.

A ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) usou as redes para criticar o ato e disse que os membros da oposição foram às ruas para “emular besteiras”. O protesto da oposição teve como mote “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”, em referência ao presidente e aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

“Fantasiados de brasileiros, país que entregaram a Trump no tarifaço pra salvar o pai, bolsonaristas vão à Paulista emular besteiras, mentir que é a arma deles, para atacar Lula. Perderam a eleição e tentaram um golpe”, escreveu no X (antigo Twitter).

O ato ocorre no momento em que Flávio desponta como principal potencial adversário de Lula nas urnas nas eleições deste ano. Pesquisas eleitorais dos últimos meses têm mostrado melhoras no desempenho do senador em cenários da disputa.

O vice-presidente do PT, Jilmar Tatto, minimizou as manifestações e referiu-se ao ato como uma última tentativa de unificação da direita.

“Eles sabem que Lula é forte, é difícil ganhar do Lula, então por isso que, ao mesmo tempo que eles atacam as instituições, atacam o Lula, o que nós estamos acostumados”, diz à Folha. “Não há nada de novo. É mais um domingo de sol que eles não têm o que fazer. Enquanto eles gritam, estamos cuidando do povo brasileiro.”

Na mesma linha, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), disse que os atos da Paulista não representam nenhum impacto na disputa em curso no país. “Enquanto gritam, Lula presta solidariedade ao povo mineiro”, afirma.

Em suas redes, o deputado afirmou ainda que as manifestações foram marcadas por uma “flopada histórica e vergonhosa”. “O povo cansou de discursos vazios, de ódio e de manipulações que não resolvem os problemas reais do Brasil. A verdade é que a maioria quer trabalho, comida na mesa e respeito à democracia. O Brasil acordou e não aceita mais ser enganado por essa gente.”

No sábado (28), o presidente Lula viajou para Minas Gerais, estado de Nikolas, para visitar cidades atingidas pelas chuvas que deixaram mais de 60 mortos e milhares de desabrigados. O governador de Minas, Romeu Zema (Novo) também viajou a São Paulo para participar dos atos contra Lula deste domingo.

Na passagem por lá, véspera do ato, Lula fez uma menção implícita ao deputado, ao falar de política feita “pelo celular”. O parlamentar é um dos nomes mais influentes da oposição nas redes sociais.

“Este é o ano da verdade neste país. Este é o ano em que a gente vai provar quem mente e quem não mente. Este é o ano em que a gente vai provar quem faz e quem não faz. A gente vai provar que fazer pirotecnia através do celular não resolve o problema da sociedade. O cidadão que fica gravando e fazendo meme toda hora, brincando de fazer política, nós vamos desmascarar neste ano”, disse Lula.

O ato da oposição reuniu cerca de 20 mil pessoas, segundo o Monitor do Debate Político da USP e a ONG More in Common. Segundo a contagem, feita a partir de fotos aéreas analisadas com um software de inteligência artificial, a manifestação teve menos da metade do público do ato pró-anistia de 7 de setembro de 2025 —na ocasião, foram contabilizadas 42,4 mil pessoas no momento de pico.

O tamanho menor da manifestação deste domingo em relação às anteriores organizadas pelos opositores também foi citado pelo líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), que usou as redes para criticar o número de participantes e o discurso de Flávio no evento.

“Não foi só o tamanho que chamou atenção. Foi a falta de entusiasmo. O discurso de Flávio Bolsonaro foi frio, sem energia, sem verdade e sem capacidade de empolgar. Parecia um candidato sem confiança no que dizia. Faltou carisma e sobraram mentiras. Sua pré-candidatura começa com o peso da desconfiança e com a sensação de que não há nada de novo para apresentar além de ataques e ressentimento”, escreveu ele.

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