O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicou nos últimos dias a aliados que poderá disputar o governo de São Paulo. Ele terá um jantar com o presidente Lula (PT) nesta quinta-feira (26), quando o assunto deverá ser abordado.
O chefe do governo disse políticos próximos na quarta-feira (25) que a candidatura do ministro da Fazenda estava se encaminhando. O presidente do PT, Edinho Silva, também tem dado como certo o nome de Haddad na disputa pelo governo paulista em conversas reservadas.
Segundo relatos colhidos pela Folha, após uma conversa com o ministro, Edinho disse a aliados que ele está disposto a concorrer.
Haddad disse a jornalistas na porta do Ministério da Fazenda nesta quinta que não conversou com ninguém do PT sobre o assunto, e que as discussões com Lula até o momento foram inconclusivas.
O ministro disse que não sabe qual será o tema tratado no jantar. “Não me foi antecipado o assunto. Inclusive a Ana Estela está me acompanhando”, disse ele, em referência à sua mulher.
O mais provável é que as ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Simone Tebet (Planejamento) sejam candidatas ao Senado por São Paulo, na chapa de Haddad.
As duas deverão mudar de partido para concorrer. A tendência é que Marina migre da Rede para o PT; Tebet, do MDB para o PSB. No caso da ministra do Planejamento, ela também terá de mudar seu domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para São Paulo.
Lula tem pressionado o auxiliar a sair candidato ao governo, mas Haddad resistia pelo receio de perder o pleito e terminar sua carreira política com uma derrota. A aparente ascensão de Flávio Bolsonaro (PL) em pesquisas de opinião, no entanto, tem levado o ministro a repensar a própria escolha.
Embora tenham pouca esperança em uma vitória de Haddad, petistas apontam que uma candidatura forte em São Paulo é importante para a consolidação do palanque de Lula no estado, que tem o maior eleitorado do país.
Na opinião de aliados do presidente, seria indispensável forçar ao menos um segundo turno na disputa paulista para ajudar na votação de Lula nacionalmente. A ideia é ter um aliado popular fazendo campanha para o presidente em São Paulo até a votação decisiva, em 25 de outubro.
O representante da direita será o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorrerá como favorito a um novo mandato à frente do governo paulista e deverá apoiar a candidatura presidencial de Flávio.
Haddad disse publicamente ao longo dos últimos meses que não pretendia ser candidato. Segundo aliados, o ministro estava cansado de ocupar cargos no governo federal e queria participar de discussões sobre projetos para o país.
Ele mencionava, por exemplo, a possibilidade de assumir alguma função na campanha de reeleição de Lula. Pessoas próximas ao ministro também citavam que ele poderia voltar a focar em sua carreira acadêmica.
O presidente da República passou os últimos meses trabalhando para convencer Haddad, com quem tem relação pessoal além de afinidade política, a se candidatar. A pressão vinha tanto em conversas privadas quanto em declarações públicas.
No início de fevereiro, Lula disse em entrevista ao portal de notícias UOL que Haddad sabia que tinha “um papel para cumprir em São Paulo”.
Mesmo com as negativas públicas de Haddad, petistas davam como certo que ele seria candidato. A avaliação era a de que o ministro não tinha outra opção, do ponto de vista político, e que não negaria um pedido direto de Lula. A pressão de colegas de partido foi ficando maior com o passar do tempo.
Ministros petistas como Camilo Santana (Educação) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) deram declarações públicas pressionando Haddad a se candidatar. “Todos têm que entrar em campo, vestir a camisa e fazer o melhor que sabem fazer na disputa eleitoral”, disse Gleisi, por exemplo, em entrevista a jornalistas.
A cúpula do governo e do PT apontam a votação de Lula em São Paulo, em 2022, como um dos principais fatores para a vitória sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).