Uma década após sua primeira apresentação do que viria a se tornar o programa Starship, da SpaceX, destinado a promover a colonização de Marte, Elon Musk decidiu que a Lua deve ser a prioridade da companhia. Talvez tarde demais.

Aconteceu no domingo passado, quando Musk, provavelmente entediado com o Super Bowl (ou talvez vendo Corinthians e Palmeiras, nunca se sabe), resolveu ir ao X e dizer que a “SpaceX já mudou seu foco para construir uma cidade capaz de crescimento autônomo na Lua, já que temos o potencial de realizar isso em menos de dez anos, enquanto em Marte levaria mais de 20″.

É um forte contraste com o mesmo Musk de um ano atrás, que descrevia a Lua como “uma distração” e defendia que a Nasa engavetasse os planos do programa Artemis e focasse diretamente missões marcianas.

Noves fora a metamorfose ambulante, faz todo sentido. Este colunista mesmo já apontou em outras ocasiões que, ao projetar o Starship para algo tão ambicioso e complexo quanto uma conquista marciana, a SpaceX tornaria viagens à Lua algo trivial em comparação. Nisso tudo, faltou só combinar com os russos. Ou melhor, com os chineses. E com a Blue Origin, do arquirrival Jeff Bezos.

Doze horas após esse tuíte (ou seria um xiste?), Bezos publicou uma enigmática imagem de uma tartaruga saindo das sombras –o que para todo mundo que acompanha a rixa sabe que é uma referência ao conto que versa sobre uma corrida entre uma lebre e uma tartaruga, aplicado à disputa pela primeira alunissagem tripulada americana do século 21.

Até outro dia, o Starship da SpaceX era o veículo escalado pela Nasa para as missões Artemis 3 e 4, que farão os primeiros pousos tripulados do programa, e o Blue Moon MK2, da Blue Origin, só seria usado na Artemis 5. Contudo, os atrasos com o projeto de Musk (que teve um ano particularmente difícil em 2025, com várias falhas em voos-teste) fizeram com que a agência espacial americana começasse a estudar um “plano B”, que envolveria uma versão de ínterim do Blue Moon MK2, já para a Artemis 3.

A essa altura, para contar essa história adequadamente, nos falta um conto que tivesse uma lebre convencida (a Nasa), duas raposas malandras (Musk e Bezos) e uma determinada tartaruga (a agência espacial chinesa).

Repare: a primeira vez que ouvimos falar de um retorno tripulado à Lua do lado americano foi em 2004, na gestão George W. Bush, quando ela esperava realizar seu primeiro pouso até 2020. Idas e vindas empurraram essa data para 2024, 2025 e hoje está em 2027, mas ninguém acredita. Logo empurrarão para 2028 –ou mais.

Os chineses, em contrapartida, desde o começo do século projetam sua estação espacial para 2020 (saiu em 2021) e seu pouso lunar tripulado para até 2030 –o programa parece estar na trilha para atingi-lo. Enquanto Musk e Bezos se digladiam para ver quem coloca os americanos de volta na Lua, a China tem tudo para chegar lá primeiro. Sobre uma cidade na Lua em dez anos, de novo, é delírio muskiano. Mas daria para sonhar com uma base lunar para longas estadias de astronautas em uma década.

Como ele mesmo aponta, é mais fácil montar infraestrutura na Lua, que está a 2 a 4 dias de viagem, versus Marte, só visitável durante períodos de alinhamento planetário que se repetem a cada dois anos, em jornadas de 6 a 8 meses, só de ida.

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