O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) rebateu neste sábado (21) críticas feitas por Eduardo Bolsonaro, disse que está acostumado com os ataques, defendeu Michelle Bolsonaro e pediu foco no inimigo comum.

O deputado visitou Bolsonaro na Papudinha na manhã de hoje por cerca de duas horas. O ex-presidente está preso no local desde 15 de janeiro, quando o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinou sua transferência da sede da Polícia Federal em Brasília.

Em entrevista ao SBT News, Eduardo falou em amnésia de Nikolas e Michelle e disse que considera insuficiente o engajamento dos dois na campanha de Flávio Bolsonaro.

Nikolas negou que ele e Michelle tenham amnésia e lembrou o que chamou de ataques injustos.

“Diante das situações que estão acontecendo, nós temos o pai dele preso, sofrendo dificuldades de saúde, você tem as pessoas do dia 8 [de Janeiro] presas e precisando da derrubada do veto a dosimetria, você tem o STF envolvido em diversos escândalos, você tem o Lula literalmente fazendo de tudo para poder destruir esse país e a prioridade é nos atacar? Então, isso diz muito mais sobre ele do que a mim”, declarou.

“Bater em mim eu já estou acostumado. Já tem mais de três anos que eles estão aí nessa saga. Mas deixa a Michelle viver o calvário dela. Ela, acima de tudo, é uma esposa, ela é uma mãe, que tem que cuidar de uma filha, que está vindo aqui todos os dias preparando alimento para o marido dela, de 70 anos, que está preso injustamente.”

“Eu acho que o Eduardo não está bem”, completou.

Nikolas também visitou Bolsonaro em novembro, ainda em prisão domiciliar. Na ocasião, Moraes cobrou explicações da defesa do ex-presidente após a divulgação de imagens, capturadas pela TV Globo, que mostravam o deputado usando o celular durante o encontro.

Mesmo preso, Bolsonaro tem falado sobre eleições com aliados. Parlamentares do PL relataram que o ex-presidente tem discutido, de dentro da prisão, o cenário eleitoral e as estratégias do partido para as eleições deste ano, incluindo disputas estaduais e a composição das chapas no campo conservador.

Senadores têm aproveitado visitas a Bolsonaro para tratar das eleições. No último dia 18, Carlos Portinho (PL-RJ) e Bruno Bonetti (PL-RJ) estiveram com o ex-presidente no Complexo da Papuda, em Brasília.

Após encontro, Portinho afirmou que o ex-presidente avalia que sua candidatura ao Senado “representa melhor o campo conservador” no Rio de Janeiro. Segundo ele, Bolsonaro considera legítima uma eventual candidatura do governador Cláudio Castro, mas entende que a disputa ao Senado pode ser o principal espaço estratégico para o partido no estado.

Mais cedo naquele dia, o senador Bruno Bonetti, que ocupa a vaga de Romário, também esteve no local. O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, afirmou ter encontrado o pai “sonolento e abatido” e disse que ele segue questionando a prisão.

Bolsonaro cumpre 27 anos e três meses de prisão. A determinação é que ele fique em regime fechado pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado contra o patrimônio da União.

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