Cientistas descreveram um novo espécime de tiranossauro cujos restos foram encontrados na década de 1970 no Novo México, nos Estados Unidos. O fóssil, descoberto em rochas de cerca de 74 milhões de anos, pode representar o maior animal do grupo já identificado para o período.

O artigo sobre o achado foi publicado nesta quinta (12) na revista Scientific Reports. Na avaliação dos autores, o animal seria um dos representantes mais antigos da linhagem que se diversificou na América do Norte entre 69 e 66 milhões de anos atrás.

O trabalho baseia-se em uma tíbia (osso da canela) com 96 centímetros de comprimento. O item integra a coleção de paleontologia do Museu de História Natural e Ciência do Novo México.

Assinam o trabalho Nicholas Longrich, do departamento de Ciências da Vida da Universidade de Bath (Reino Unido), Sebastian Dalman, pesquisador associado da Universidade Estadual de Montana (EUA), e Spencer Lucas e Anthony Fiorillo, ambos do Museu de História Natural do Novo México (também nos EUA).

Os tiranossauros são uma das linhagens de dinossauros terópodes (formas carnívoras e bípedes) que dominaram os habitats do fim do período Cretáceo. O mais célebre deles, o Tyrannosaurus rex, é conhecido por diversos esqueletos escavados em rochas nos estados de Montana, Wyoming, Colorado e Novo México, além de registros nas Dakotas.

A tíbia foi escavada em expedições realizadas na década de 1970 por estudantes da Universidade do Novo México, entre os quais Lucas. Não foram encontrados outros elementos ósseos no mesmo local, mas novas expedições podem revelar mais espécimes. “É uma localidade que tem evidenciado fósseis de tiranossauros por quase um século.”

Com base em comparações do osso com o de outros tiranossauros, como o esqueleto de Sue, o maior T. rex já encontrado —mantido no Museu Field, em Chicago—, os pesquisadores estimam que o animal do Novo México chegava a 4,7 toneladas.

Os tiranossauríneos (família Tyrannosaurinae) são os maiores representantes de um grupo de dinossauros terópodes chamado Coelurosauria. Já os membros do gênero Tyrannosaurus são animais que viveram há 69 a 66 milhões de anos.

Longrich diz que há alguns anos descreveu o Tyrannosaurus mcraeensis, da formação de Hall Lake, também no estado do Novo México, a partir de um espécime de museu.

T. mcraeensis permaneceu em uma coleção sem ser reconhecido por quase 50 anos. Pensei, então, que talvez existissem outros tiranossauros em coleções científicas que não haviam sido identificados. Foi quando encontrei esse grande osso de membro posterior.”

Os pesquisadores não conseguiram a partir do único osso atribuir uma espécie ao fóssil, mas dizem acreditar que seja um representante mais antigo do Tyrannosaurini, um grupo menor de tiranossauríneos que inclui Tyrannosaurus e as formas asiáticas Tarbosaurus e Zhuchengtyrannus.

“O osso é muito grande, muito robusto e a extremidade onde ele se conecta ao tornozelo é larga e triangular, características que se assemelham, mais do que qualquer outra coisa, ao T. rex“, afirma.

Segundo ele, os tiranossauros são fáceis de se identificar porque são dinossauros carnívoros gigantes. “Se você acha um [osso de] carnívoro gigante, pode ter quase certeza que é um tiranossauro. O difícil foi determinar com mais precisão a espécie, porque comparamos com outros representantes do grupo Tyrannosaurini, mas para isso faltam bons ossos do crânio, ou idealmente um esqueleto.”

“O que isso nos diz é que os tiranossauros adquiriram grandes tamanhos mais cedo do que pensávamos. Eles viviam no sul [da América do Norte], muito provavelmente em lugares como Novo México, Texas e regiões do que hoje é o México, onde o registro fóssil é mais escasso, então não conhecemos essa história”, acrescenta ele.

“Isso também aumenta a diversidade de tiranossauros no período. Pode ser que três espécies viveram no Novo México nessa época: uma pequena, uma grande e uma gigante, semelhante ao Tyrannosaurus.”

Para os autores, a presença de um tiranossauro gigante no fim do Cretáceo no Novo México —mas não em localidades mais ao norte do continente— exemplifica um padrão de endemismo no grupo. Nessas regiões do norte, formas gigantes só surgiriam cerca de 6 milhões de anos depois.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You May Also Like

Comunista Jones Manoel ocupa vácuo e viraliza – 25/08/2025 – Encaminhado com Frequência

A direita ainda reina quase sozinha entre os maiores nomes da política…

CNPq abre edital de R$ 215 mi para pesquisa fora do Brasil – 01/09/2025 – Ciência

O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) abriu uma nova…

Apple confirma data do evento de lançamento

Arte que a Apple inseriu no convite de lançamento para seu evento…

3I/Atlas: objeto interestelar desperta curiosidade – 11/11/2025 – Ciência

Recentemente, Kim Kardashian questionou Sean Duffy, administrador interino da Nasa, na rede…