O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), decidiu entregar a vice de sua chapa na disputa pelo governo fluminense neste ano ao ex-deputado Washington Reis (MDB), que mantém vínculos estreitos com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O acordo entre os dois deve ser anunciado nesta quinta-feira (19), na recondução de Reis ao comando do MDB-RJ. O presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, e o ex-presidente Michel Temer participam do encontro, assim como Paes.
O nome mais provável para ocupar o posto é o de Jane Reis (MDB), irmã do ex-deputado.
A aliança com Reis era almejada por Paes há algum tempo, mas vinha enfrentando resistências. O ex-deputado também almejava se candidatar esse ano, mas o recurso para reverter a inelegibilidade por crime ambiental não avançou no STF (Supremo Tribunal Federal).
Com o acordo, o prefeito do Rio de Janeiro avança em dois pontos caros em sua estratégia para a campanha deste ano. Em primeiro lugar, reduzir a vinculação de sua futura candidatura à de Lula num estado majoritariamente bolsonarista. Em segundo, obter aliança com nomes fortes de fora da capital, em especial a Baixada Fluminense, onde enfrenta resistência.
Os acenos de Paes a alas bolsonaristas do estado têm provocado rusgas com alguns petistas. Contudo, o comando do PT-RJ, controlado pelo prefeito de Maricá, Washington Quaquá, apoia a ampliação da aliança do prefeito, a fim de fortalecer um aliado do presidente.
Em publicação em sua rede social, Quaquá comemorou o acordo e sugeriu até uma mudança de lado de Reis. “Quem chega primeiro bebe água limpa… Bora que o muro tá baixo. Lula presidente, Eduardo governador”.
Ex-deputado, ex-prefeito de Duque de Caxias e ex-secretário de Cláudio Castro (PL), Reis é uma das lideranças políticas da Baixada Fluminense disputadas por diferentes candidatos. Em 2022, foi registrado como vice na chapa do atual governador, mas teve de deixar o posto em razão de uma condenação por loteamento irregular na cidade onde atua.
Alinhou-se a Bolsonaro desde o início do mandato. Ele é líder do grupo político investigado no caso da suposta falsificação de certificados de vacina do ex-presidente. O caso foi arquivado pelo STF por falta de provas.
Ele chegou a ser cogitado pela família Bolsonaro para ser o candidato ao Palácio Guanabara este ano. Contudo, os entraves judiciais impediram sua escolha.