O espaço ao redor de Urano é um pouco mais lotado do que se pensava. Astrônomos anunciaram na última terça (19) a descoberta de mais uma lua orbitando o planeta, elevando seu número total de satélites para 29.
A mais recente adição, provisoriamente conhecida como S/2025 U1 e encontrada graças ao telescópio James Webb, é menor e mais tênue do que qualquer outra lua conhecida do planeta. Essa é a provável explicação para o fato de ter sido ignorada em observações feitas por naves espaciais ou outros telescópios.
“Ficamos muito felizes em vê-la”, disse a astrofísica Maryame El Moutamid, do Instituto de Pesquisa Southwest no estado americano de Colorado. “Ela estava se comportando exatamente como uma lua.”
Todos os quatro maiores planetas do nosso Sistema Solar reúnem um número substancial de luas de tamanhos variados. Nos últimos anos, cientistas descobriram novos objetos considerados luas orbitando Júpiter, Saturno e Netuno.
A identificação de parte das 29 luas de Urano ocorreu durante um sobrevoo da sonda Voyager 2, da Nasa, em 1986. O planeta também conta com 13 anéis estreitos e nitidamente definidos. Alguns astrônomos dizem acreditar que esses anéis tenham sido esculpidos pela presença de luas desconhecidas em ambos os lados, cuja gravidade impede que o material se espalhe para fora deles.
Com a alta resolução da Câmera de Infravermelho Próximo (NIRCam) do telescópio James Webb, El Moutamid e sua equipe estavam quase certos de que encontrariam luas ao redor desses anéis.
Os astrônomos se depararam com a S/2025 U1 em uma série de imagens coletadas pela NIRCam em fevereiro. A nova lua estava escondida fora do anel mais brilhante do planeta, Épsilon, entre dois outros satélites, Ophelia e Bianca.
A S/2025 U1 não é uma lua do tipo que teria esculpido anéis, como os astrônomos esperavam. A equipe estima que ela tenha cerca de dez quilômetros de largura e que esteja em uma órbita quase circular a mais de 50 mil quilômetros do centro do planeta.
É a 14ª lua interna descoberta orbitando Urano.
Ao longo de milhões de anos, as luas internas de Urano podem ter colidido e se espalhado em anéis. À medida que o material nos anéis se difundia, eles se afastavam do planeta. No fim, esse material pode começar a se acumular, reciclando-se de volta em uma lua.
Esse é o cenário mais provável para S/2025 U1, segundo El Moutamid, acrescentando que o processo provavelmente se deu em algum momento nos últimos 50 milhões de anos.
Agora, os astrônomos pensam em um nome permanente para batizar a lua recém-descoberta. De acordo com El Moutamid, eles têm uma ideia, porém o nome ainda terá que ser aprovado pela União Astronômica Internacional. Todas as luas de Urano receberam nomes de personagens literários, muitos das obras de Shakespeare.
Mais luas ao redor do planeta podem ser encontradas no futuro com o uso do telescópio James Webb. Mas elas provavelmente serão ainda menores que S/2025 U1, segundo El Moutamid.